Cantar em inglês está fora de moda, principalmente para as bandas portuguesas
Quando pego numa guitarra ou num piano e deixo uma canção vir ter comigo, para nascer ou renascer comigo, se ela cantar em inglês ou numa qualquer outra língua que não seja o português, tenho que mandá-la à mãe.
Tenho de o fazer porque a língua portuguesa musicada está em perigo, as novas bandas portuguesas andam quase todas a cantar em estrangeiro e soam todas a coisas que já existem.
Tenho de o fazer porque nasci em Portugal, é a minha obrigação enriquecer a cultura da língua materna, a mesma que as pessoas perto de mim falam e sentem, é nela que melhor me saberei expressar.
Tenho de o fazer porque as pessoas do meio já decretaram: o português é obrigatório nesta segunda metade da 1ª década pós fim do mundo.
Tenho de o fazer porque só se canta em inglês para que as palavras soem melhor, é mais fácil, qualquer lugar comum soa uma maravilha.
Tenho de o fazer porque os artistas portugueses que mais visibilidade tiveram além fronteiras cantavam e cantam em português.
Tenho de o fazer porque muitos artistas portugueses de cujo trabalho respeito e admiro já vieram mostrar a sua preocupação pelo perigo de morte que corre o uso da nossa língua na nossa música.
Assim, mesmo que não queira, mesmo que me pareça anti-natura tamanho aborto artístico, quando uma canção nascer eu vou arrancar-lhe a parte da alma que não fala português e vou deitá-la fora, porque não sabe bem aos meus pares que fazem as coisas de uma forma diferente da minha, ouvir tamanha afronta. Vou deixar de ser ... espontâneo.
(H)À liberdade na música.(?)
